Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Meu Diário
27/01/2015 23h08
Vinhos - Luis Fernando Verissimo e texto apócrifo: Beba vinho para o espírito

Vinhos

Já se disse mais bobagem sobre vinhos do que sobre qualquer outro assunto, com a possível exceção do orgasmo feminino e da vida eterna. Isto porque é impossível transformar em palavras as qualidades ou defeitos de um vinho ou as sensações que ele
provoca, assim como é impossível, por exemplo, descrever um cheiro ou um gosto. Tente descrever o sabor de uma amora. Além de amplas e vagas categorias como “doce”, “amargo”, “ácido” etc., não existem palavras para interpretar as impressões do paladar.

Estamos condenados à imprecisão ou ao perigoso terreno das metáforas. Tudo é literatura.

— Mmmm, este vinho... Reticente, algo contido. Mas nota-se uma clara disposição para romper os grilhões. Não dou um ano para ele descobrir a vida e a vida descobri-lo.

— Certo. Mas ou muito me engano ou detecto uma certa presunção...

— Que poderá derrotá-lo, no fim.

— Certo. Você diria que ele é de esquerda?

— Hmmm. Deixa ver. Social-democrata. Definitivamente social-democrata. Mas a literatura, às vezes, é melhor do que o vinho. No livro Brideshead Revisisted de Evelyn Waugh, o narrador descreve um jantar num restaurante francês — sopa de oseille, filé de peixe em vinho branco, caneton à la presse, suflê de limão — com Rex, um canadense insuportável que só fala de doença e dívidas. Waugh fala do vinho: “Durante séculos, todos os idiomas se esforçavam em definir sua beleza e produziram apenas conceitos destemperados ou os epítetos tradicionais do ramo. Este borgonha me parecia sereno e triunfante, uma lembrança de que o mundo era um lugar mais antigo e melhor do que Rex sabia, que a humanidade na sua longa paixão conquistara outra sabedoria que não a sua.”  Perfeito. Um gole de vinho extraordinário nos dá um gosto desta sabedoria acumulada no mundo, tão profunda que a linguagem não a alcança, tão completa que não precisa de metáforas, e mais antiga e melhor do que as pobres aflições do cotidiano. O borgonha a que se refere é um Clos de Bère de 20 anos.

No mesmo livro, na mesma cena, Waugh escreve que Rex insistia em falar na sua própria vida, mas que isto podia esperar “pela hora da tolerância e da repleção, pelo conhaque. Podia esperar até que a atenção estivesse entorpecida e se ouvisse com apenas metade da mente. Agora, no momento crucial em que o maître virava os blinis na panela e, ao fundo, dois homens mais humildes preparavam a prensa para o caneton, falaríamos de mim”.

A hora do conhaque é a hora da satisfação tão plena que qualquer assunto é aceitável, até a vida dos outros. Na hora do aperitivo fala-se em trivialidades, como o fim provável do mundo por estes dias ou a cotação do ouro. Com o vinho branco devemos ser brilhantes sem que isto ofusque o peixe. Frases rarefeitas que se desmanchem antes de chegar ao teto. Com o vinho tinto, sim, devemos chegar à essência das coisas, às definições, aos ossos da existência, cuidando para não manchar a camisa. Isto é, falarmos de Deus e de nós mesmos como se a distinção fosse obscura.

— Um dos prazeres da meia-idade — diz ele, fazendo girar o borgonha no copo — é que podemos assumir todos os nossos preconceitos sem medo de cair de moda.

— Eu também — diz o outro. — Eu...

— Espere. Estamos falando de mim. Depois, seguindo uma hierarquia natural,
falaremos de você.

A hora do conhaque é a hora do semicoma, que passa por generosidade. Tolerância e repleção. Um homem em paz com o universo e com a sua barriga está disposto a tudo, até a ouvir. Porque não ouve mais nada.

No último parágrafo deste capítulo exemplar, Waugh escreve: “Ele acendeu seu charuto e sentou para trás, em paz com o mundo; eu também estava em paz, com outro mundo. Ambos estávamos satisfeitos. Ele falou sobre Júlia e eu ouvi sua voz, ininteligível, a uma grande distância, como um cachorro latindo a milhas dali numa noite silenciosa.”

— Experimente este rosé...

— Você sabe o que dizem os franceses?

— O quê?

— O tinto para os franceses, o branco para os americanos, o rosé para os idiotas.

— Suponho que você esteja me chamando de idiota.

— Suponho que sim.

— Então...

— Metaforicamente, é claro.

— À sua saúde. Metaforicamente.

— À sua.

— Que você tenha só filhos homens, e todos sejam costureiros.

— Que a pomba da paz lance suas dádivas sobre sua cabeça e sua roupa nova...

— Que o senhor o leve bem cedo para o Seu lado.

— Que você tenha muito dinheiro e tempo para aplicá-lo numa financeira paulista, e que o Banco Central feche a financeira no dia seguinte.

— Noto que você não está bebendo seu rosé. Isto é um insulto.

— Proponho que se discuta isto sobre o conhaque.

— Território neutro...

— Isso.

Luis Fernando Verissimo, in: A mesa voadora

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“Beba vinho para o espírito,
beba vinho para a boa digestão,
beba vinho na festa,
beba vinho na solidão,
beba vinho por cultura,
beba vinho por educação,
beba vinho porque... 
enfim, encontrarás uma razão.”

TEXTO APÓCRIFO
de Luis Fernando Verissimo, carece de fontes.

 

 


Publicado por Rosangela Aliberti em 27/01/2015 às 23h08
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26/01/2015 11h04
A PORTA DO LADO NÃO É DO DR. DRAUZIO VARELLA

Outro "falso Drauzio" é "Porta do lado", que deriva de uma frase dita por ele em uma entrevista. "Pegaram essa frase e fizeram um texto babaca, uma coisa absurda", conta."Corre [na internet] com a minha fotografia e com musiquinha, que é tudo o que eu odeio."

A despeito de alegada babaquice, da musiquinha e da autoria falsa, "Porta do Lado" é bastante popular. "Acho que, de todos os texto que escrevi na vida, é o que mais faz sucesso", diverte-se

Dr. Drauzio Varella, para Folha de São Paulo, 25.02.2009 na matéria: Escritores consagrados repudiam falsos textos que circulam na rede

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A PORTA AO LADO NÃO é do Dr. Drauzio Varella (segue o texto que vem sendo repassado em seu nome)

Em entrevista dada pelo médico Drauzio Varella, disse ele que a gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada. E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente.

É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping). Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.

Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior. Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes. Será que nada dá errado para eles?

Dá aos montes. Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença. O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote.

Que "audácia" contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato.

Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente. O mundo versus eles.

Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também. É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel.

E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho.

Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato.

Eu ando deixando de graça, para ser sincero. Vinte e quatro horas têm sido pouco para tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.

Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem, pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia.

Então eu uso a "porta do lado" e vou tratar do que é importante de fato.

Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão porque parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado

Pense nisso... E prepare-se para uma nova vida.

(Ilustração/web)


Publicado por Rosangela Aliberti em 26/01/2015 às 11h04
 
08/01/2015 14h35
66 conselhos úteis

66 conselhos úteis

1) Pessoas que ferram qualquer um, vão mais que provavelmente pisar na sua cabeça pra ferrar qualquer um. Afaste-as da sua vida.

2) Algumas pessoas acham normal te julgar… tente não ser como elas. E as ignore.

3) As coisas mais bonitas da vida são inúteis.

4) Não force seus amigos para as suas coisas. Deixe que eles busquem e gostem se quiserem.

5) Ninguém se importa com as duas semanas que você “viveu” na América/Europa/Ásia… Pare de ficar se gabando.

6) Filmes pornôs e Disney são responsáveis pelos seres humanos mais frustrados que conheço.

7) Ser bem sucedido tem significado diferente para cada pessoa. Respeite isso.

8) Às vezes o fo%$-se (ou vá se fod%$) é a melhor resposta (mas não é sempre… infelizmente)

9) Está tudo bem em relação a mudar sua opinião sobre pessoas ou coisas da sua vida. Apenas tente manter a coerência.

10) Não espalhe sua raiva pela internet. É idiota e todos vão poder dizer que você faz isso porque tem um pinto pequeno.

11) Sempre use uma peça íntima bacana. Você nunca sabe quando pode tirar a sorte grande ou precisar de um médico.

12) Não reclame da sua vida porque não tem um carro ou a casa que gostaria. Não ter sorte significa outra coisa.

13) Fato: grandes empresas vão sugar seu sangue e alma. Tente evitá-las.

14) É bom ter grandes esperanças e expectativas, mas mantenha-as de forma lógica.

15) Você não é tão estranho quanto acha que é. Todo mundo se sente diferente dos outros.

16) Você não pode se livrar dos seus medos. Mas pode aprender a viver com eles.

17) Boa imaginação é sinal de inteligência.

18) Não confie em pessoas que não confiam em ninguém!

19) Culpa é um sentimento inútil.

20) Você não precisa da permissão de ninguém pra fazer o que acha que é melhor pra você.

21) A realidade é superestimada.

22) Algumas vezes, desistir é a decisão mais corajosa.

23) Refletir demais pode te levar a conclusões equivocadas.

24) Ninguém vai conceder seus desejos. O melhor é você mesmo fazer eles acontecerem.

25) Sua pior suspeita está correta. Todo mundo menos você está transando agora.

26) Pessoas que sempre falam a verdade, independente de quão dolorida for, são babacas. Fim da história.

27) Ser indiferente mas com educação é sexy.

28) Faça como se não houvesse chances de errar.

29) Ingenuidade pode ser perigosa.

30) Ninguém fica realmente mantendo o controle de quantas vezes você errou. Então, relaxa…

31) Quando a maioria dos bares da cidade estão mais limpos que a sua casa é hora de fazer uma limpeza… ou de ir para os bares.

32) Sempre vai ter alguém mais bonito e feio pra você. Aceite isso e viva…

33) Pensar muito sobre um problema não vai, necessariamente, torná-lo mais fácil de resolver.

34) Aceite o fato de que vai errar um pouco tentando fazer algo novo. Vai ser muito mais fácil…

35) Sempre tem um modo melhor de expressar a sua opinião.

36) Apressar-se nunca é uma boa ideia.

37) “Oi” é a palavra mais poderosa contra a solidão.

38) Pessoas que tentam bravamente parecer duronas muitas das vezes são as que mais precisam de afeto.

39) Cerque-se de coisas e pessoas que te inspiram.

40) Coisas são somente coisas. Não se apegue a elas.

41) Se você sempre tenta parecer inteligente, vai acabar parecendo estúpido.

42) Encontre alguém que consiga rir com você sobre tudo e o resto vai ficar bem.

43) Devagar é o novo rápido. E incrível também.

44) Ser normal é, provavelmente, a coisa mais fraca que você pode tentar (ser).

45) Coisas que são difíceis de falar são normalmente as mais importantes.

46) Se desafie um pouco todos os dias.

47) Qualidade ganha da quantidade.

48) Não é uma coincidência que as pessoas mais admiráveis são também as mais modestas.

49) Moda e tendência são bobagens. Não deixe-as te enganar.

50) Confie nos seus instintos (preste atenção naquele pressentimento de novo)

51) Não se leve tão a sério.

52) Nenhuma marca é sua amiga.

53) Os problemas da sua família não são os seus.

54) Esteja aberto a coisas novas.

55) Não esconda nada e então não terá nada a esconder.

56) Pessoas que só te ligam quando precisam de alguma coisa não são seus amigos.

57)  Dormir é a coisa mais saudável que se pode fazer sem fazer nada.

58) Ninguém ouve os barulhentos.

59) Sempre seja você mesmo, a não ser que seja um idiota arrogante.

60) Diversão é um conceito relativo.

61) Seu salário não determina o quanto você é bom como pessoa.

62) Você não precisa participar da sacanagem de ninguém.

63) Algumas vezes ser preguiçoso é bom pra você.

64) Reclamar não resolve nada.

65) Mulheres têm tanto tesão quanto os homens. Elas só escondem a paudurência melhor.

66) Você não é especialmente preguiçoso. É apenas um mamífero.

(art by Morgan, Evelyn De)


Publicado por Rosangela Aliberti em 08/01/2015 às 14h35
 
04/01/2015 17h32
A mente que se abre a uma nova idéia, jamais voltará ao seu tamanho original

Ein Geist, der sich für eine neue Idee öffnet, wird niemals zu seiner ursprünglichen Größe zurückkehren. (atribuída a Einstein: - "A mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original.”, vide: The mind, once expanded to the dimensions of larger ideas, never returns to its original size. - Oliver Wendell Holmes)


Publicado por Rosangela Aliberti em 04/01/2015 às 17h32
 
27/12/2014 02h22
Reflexões no fim de um ano...


[Outro dia... Orei]

Outro dia fotografei
Maria, sentada
no chão...
ao lado de muitos
presentes

E na casa
d'outra Maria, que
nada tinha além
de muitos
pés descalços...

o_ rei!

rosangela_aliberti,
dez/2014

____________


Não torço pela esquerda, (e nesta alturas do campeonato) não sei o que é de direita... acredito apenas em políticos que vejo
que se preocupam em fazer com que a situação de qualquer que seja o país, dê certo. (r_a)

foto: Gaza/Palestina

 


Publicado por Rosangela Aliberti em 27/12/2014 às 02h22



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