Rosangela_Aliberti

Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo



Diário
13/11/2009 01h41
Pensamentos do dia: Khalil Gibran e conclusão de Cícero (filósofo)
Que direi do perseguidor que finge ser perseguido?
In: Areia e Espuma (p. 41)

*

Até mesmo as máscaras da vida são máscaras de profundo mistério.
(p. 42)

*

Não podeis julgar qualquer homem além do vosso conhecimento dele, e quanto é limitado vosso conhecimento. (p. 53)

*


O óbvio é aquilo que ninguém enxerga, até que alguém o expresse com simplicidade. (p.59)

*

O verdadeiro grande homem é o que não domina ninguém e não é dominado por ninguém. (p. 60)

*

O silêncio invejoso é ruidoso demais. (p.63)

*

Aprendi o silêncio com o loquaz,
a tolerância com o intolerante,
e a bondade com o maldoso;
estranho, não sinto nenhuma
gratidão por esses mestres. (p.62)

*

"É preferível ser vítima a ser autor de uma injustiça."
(Cícero)

arte recolhida da net






Publicado por Rosangela Aliberti em 13/11/2009 às 01h41
 
12/11/2009 20h56
Haicai e Cia. - Paulo Franchetti
        O trabalho amador tem encanto. A ingenuidade e a pouca desconfiança em relação ao senso comum, mesmo que paguem o preço da inexatidão e da falta de originalidade, captam facilmente a boa vontade dos leitores menos informados. “Eu também posso fazer!” é a conclusão sedutora, que acaricia o voluntarismo e granjeia a solidariedade. Assim sucede com o volume intitulado “haicais”, recentemente publicado pela editora Companhia das Letras, na coleção Boa Companhia. Estão ali representados 24 poetas heterogêneos, autores de poemas de natureza muito diferente. A uni-los num todo significativo, apenas o fato de serem escritos em três linhas e a vontade do organizador do volume.

        A seleção dos poemas desse livro foi feita por Rodolfo Witzig Guttilla. Seu currículo o qualifica como bem-sucedido executivo de uma empresa de cosméticos. Mas é também poeta, e publicou, de lavra própria, um livro que vale a pena, principalmente por conta de um cd com animações leves e delicadas que o acompanha. Já como organizador e estudioso de haicai, seu trabalho deixa a desejar, trazendo para primeiro plano a insuficiente formação intelectual para a tarefa que lhe foi proposta e a pouca familiaridade com o objeto de trabalho.

        As muitas deficiências, evidentes para um especialista, talvez não cheguem a incomodar o cliente fiel da coleção, que, prisioneiro do marketing, vai comprar o livro na esperança de ali encontrar um conjunto de textos representativos, impressos em bom papel e vendidos a preço razoável. Esse leitor certamente reconhecerá a qualidade do livro: a simpatia. A simpatia não só é o critério de seleção dos contemporâneos, mas também dá o tom das pequenas notas hagiográficas que sucedem cada pequeno conjunto, trazendo os dados de cada autor e um julgamento sobre sua obra. Para o leitor iniciante, será um atrativo o ar de ação entre amigos que pauta o livro, bem como a informalidade juvenil da linguagem, que permite que os modernistas de 1922 sejam tratados como “a rapaziada”.

        Numa segunda edição, porém, as falhas mais graves deveriam ser sanadas. Por exemplo, não é possível, num livro que traz uma apresentação histórica do haicai, afirmar que o significado da palavra haicai seja “poema de dezessete sílabas”. Primeiro porque a sílaba não é a base da métrica japonesa (e sim a duração do som) e segundo porque haicai quer dizer “não formal, não sério”. É uma designação qualificativa que indica o tom, e não a forma do verso ou da estrofe. Também não é razoável dizer que Shiki, o restaurador do haicai, se filie ao “‘espírito da época’, encarnado por Bashô e sua escola”: porque não há uma época comum entre Bashô (século XVII) e Shiki, que produziu no final do século XIX; e também porque, se quisermos usar essa expressão romântica, toda a ação de Shiki foi contra o “espírito da época” em que vivia, que era o período de ocidentalização acelerada do Japão. Também uma informação básica sobre Bashô está errada, e seria ocioso listar aqui todos os enganos ou dificuldades técnicas no uso dos termos japoneses e na descrição do que seja o haicai, presentes na introdução. Mas há absurdos de redação que podem ser corrigidos sem muito estudo nem muito esforço. Por exemplo, é preciso reescrever a frase “na onda do escrito de Lobato, mais precisamente em 18 de junho de 1908, aportará em Santos a fabulosa nau Kasato Maru, trazendo a bordo 781 imigrantes japoneses”. A redação desastrada poderia fazer supor que um artigo de Monteiro Lobato sobre o haicai tivesse alguma relação causal com a chegada da nau “fabulosa” (!), ou, pior, que o criador do Jeca Tatu tivesse desencadeado sozinho a imigração japonesa para o Brasil. Lobato parece ser uma das afeições do autor, pois na p. 10 aprendemos que “o autor de O sítio do Picapau Amarelo exercerá grande influência sobre a geração de escritores e poetas que, em 1922, romperá com a sintaxe passadista e inaugurará o “modernismo” no país”. Que Guttilla não saiba qual foi o verdadeiro lugar de Lobato na história da literatura brasileira, admite-se. Mas não devia utilizar o nome do programa infantil da Rede Globo para denominar o livro, pois Lobato escreveu O picapau amarelo.

        Nada direi do zen – esse malfadado zen que tem servido a tanta mistificação –, mas há duas observações outras que se impõem e que eu não poderia deixar de fazer aqui. A primeira diz respeito às presenças, e a segunda às ausências.

        Devido às óbvias carências de formação ou informação literária do organizador, vêm para dentro da antologia, apresentado ao leitor como haicai, praticamente qualquer conjunto de três linhas assinado por autor conhecido. Haicai resulta assim um nome vazio, ou um rótulo que cada um pode pôr no produto que quiser, e não uma denominação que se refira a uma forma ou a uma disposição do discurso. Usar a palavra assim é tão razoável quanto incluir alguns trechos de Os Lusíadas numa antologia de poemas satíricos ou de sonetos, ou denominar écloga ou romance à Vida Nova, de Dante. Por conta disso, esta antologia resulta tão consistente quanto seria uma de tankas que incluísse epigramas de Marcial.

        Já quanto às ausências, é digno de nota que Guttilla não tenha dado abrigo na sua “boa companhia” a nenhum autor que não faça parte ou do mainstream da literatura contemporânea ou do museu do passado. Os primeiros lhe garantem a divulgação, os segundos a aparência de erudição. Mas não custava, já que refere Hidekazu Masuda Goga (cujo nome, aliás, grafa erradamente) como figura importante na história do haicai no Brasil, ter incluído algum haicai seu. Como não custava ter incluído alguns de Roberto Saito (Faíscas, 1986) ou de Edson Kenji Iura (
www.kakinet.com). Haveria outros nomes a referir, já que não há um só poeta nikkey nessa antologia – o que deve ter alguma explicação que não alcanço. Mas quero referir apenas mais um: Teruko Oda, estudiosa, divulgadora e poeta de haicai. Sua exclusão é a inconsistência maior dessa antologia. Para qualquer pessoa familiarizada com o assunto, seu livro Natureza, berço do haicai (1996) é referência obrigatória. Pour cause, não é reconhecido por Guttilla, que sequer o refere. Teruko é poeta de primeira linha e publicou meia dúzia de livros de haicai por editora de larga difusão, um dos quais foi incorporado ao programa de leitura do governo paulista e outro ao do governo federal. Além disso, realiza oficinas de haicai e coordena um trabalho importante – do ponto de vista nacional e internacional – de promoção do haicai junto a crianças, pelo país afora. Teruko talvez tenha um defeito aos olhos do organizador: é modesta, discreta e dedicada inteiramente à sua arte e não badala na mídia – e não escreve nada que não seja haicai. Mas não há dúvida de que sua obra seja notável, constituindo uma realização de alto nível do haicai no Brasil. É uma pena – e um atestado de falência da representatividade da antologia – que não haja menção ao trabalho de Teruko Oda nem um haicai sequer de sua autoria nesse livro destinado ao grande público. E nem é o caso de se cobrir com o manto singelo da ignorância, pois nos vários textos e artigos que eu mesmo enviei a Guttilla, a seu pedido e como subsídio à sua aprendizagem do haicai, o nome dela ocupava um lugar central. Mas como se lê em certo ponto da sua introdução, “trata-se de uma escolha subordinada a valores éticos e estéticos do organizador”. Pois é.

Paulo Franchetti
 
     Boa companhia: haicai.
     Rodolfo Witzig Guttilla (org.)
     Companhia das Letras, 2009.

http://www.cronopios.com.br/site/critica.asp?id=4281

 

Publicado por Rosangela Aliberti em 12/11/2009 às 20h56
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, criar obras derivadas, fazer uso comercial da obra, desde que seja dado crédito ao autor original.
 
12/11/2009 20h46
ORAÇÃO DO AMIGO - Gabriel Chalita

Há muito se diz que, quem encontrou um amigo,  encontrou um tesouro precioso. Há muito se diz que amizade verdadeira  dura pra sempre. Não tem aquelas tempestades da paixão e nem a calmaria  exagerada do descompromisso. É o meio termo. É a bonita sensação do  estar perto e, de repente, deixar o silêncio chegar. Não exige tanto.  Exige tudo.

As amizades nascem do acaso. Ou de alguma força que faz  com que uma simples brincadeira, uma informação, um caderno emprestado,  uma dor seja capaz de unir duas pessoas. E a cumplicidade vai ganhando  corpo, e o desejo de estar junto vai aumentando, e, com ele, a sensação  sempre boa do poder partilhar, de se doar.

Há muito se diz que os amigos verdadeiros são aqueles  que se fazem presentes nos momentos mais difíceis da vida, naqueles  momentos em que a dor parece querer superar o desejo de viver.

De fato, os amigos são necessários nesses momentos. Mas,  talvez, a amizade maior seja aquela em que o amigo seja capaz de estar  ao lado do outro nos momentos de glória, e vibrar com essa glória. Não  ter inveja. Não querer destruir o troféu conquistado. Aplaudir e se  fazer presente. Ser presente.

A amizade não obedece à ordem da proporcionalidade do  merecimento. Não há sentido em querer de volta tudo o que com  generosidade se distribuiu. A cobrança esmaga o espontâneo da amizade. E  a surpresa alimenta o desejo de estar junto.

O amigo gosta de surpreender o outro com pequenos  gestos. Coisas aqui e ali que roubam um sorriso, um abraço, um suspiro.  E tudo puro, e tudo lindo.

Há muito se diz que não é possível viver  sozinho. A jornada é penosa e, sem amparo, é difícil caminhar.

Juntos, os pássaros voam com mais tranquilidade. Juntas,  as gaivotas revezam a liderança para que nem uma delas se canse  demais.
Juntos, é possível aos golfinhos comentarem a beleza de  um oceano infinito. Juntos, mulheres e homens partilham momentos  inesquecíveis de uma natureza que não se cansa de surpreender.

Eu te  peço, Senhor, nessa singela oração, que me dês a graça de ser fiel aos  meus amigos. São poucos. E impossível seria que fossem muitos. São  poucos, mas são preciosos. Eu te peço, Senhor, que me afastes do mal da  inveja que traz consigo outros desvios. A fofoca. A terrível fofoca que  humilha, que maltrata, que faz sofrer.

Eu te peço, Senhor, que o sucesso do outro me impulsione  a construir o meu caminho, e que jamais eu tenha ânsia de querer  atrapalhar a subida de meu amigo. Eu te peço, Senhor, a graça de ser  leal. Que eu saiba ouvir sempre e saiba quando é necessário  falar.

Senhor, sei que a regra de ouro da amizade consiste em  não fazer ao amigo aquilo que eu não gostaria que ele me fizesse. E te  peço que eu seja fiel a essa intenção. E sei que essa regra fará com que  o que se diz há tanto tempo se realize na minha vida. Que eu tenha  poucos amigos, mas amigos que permaneçam para sempre.

Não poderia ter muitos. Não teria tempo para cuidar de  todos. E de amigo a gente cuida. Amigo a gente acolhe, a gente  ama.

Senhor, protege os meus amigos. Que, nessa linda  jornada, consigamos conviver em harmonia. Que, nesse lindo espetáculo,  possamos subir juntos ao palco. Sem protagonista.

Ou melhor, que todos sejam protagonistas, e que todos  percebam a importância de estar ali. No palco. Na vida.

Obrigado, Senhor, pelo dom de viver e de conviver.  Obrigado, Senhor, pelo dom de sentir e de manifestar o meu sentimento.  Obrigado, Senhor, pela capacidade de amar, que é abundante e é  sem-fim.

Gabriel Chalita

*

Forasteiro na voz de Solange Mazzeto
http://www.youtube.com/watch?v=1DbhraBc9iw
 



Publicado por Rosangela Aliberti em 12/11/2009 às 20h46
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, criar obras derivadas, fazer uso comercial da obra, desde que seja dado crédito ao autor original.
 
12/11/2009 20h38
Convite: Lançamento do novo livro de MARCELO TÁPIA
*

Lançamento do novo livro de poemas de
MARCELO TÁPIA 

VALOR
DEUSO
nesta sexta-feira 13 de novembro,
às 20h, na
Casa das Rosas.

Publicado por Rosangela Aliberti em 12/11/2009 às 20h38
 
12/11/2009 15h08
montanhesa - líria porto

dissera-lhe a professora
tens olhos de folha seca
herança dos ancestrais

são castanho-esverdeados
ou verdes com algum barro
a parda cor dos pardais

líria porto
http://liriaporto.blogspot.com/

*

Galeria de zafonso
- Flickr

Publicado por Rosangela Aliberti em 12/11/2009 às 15h08
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, criar obras derivadas, fazer uso comercial da obra, desde que seja dado crédito ao autor original.



Página 34 de 647 « 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 » [«anterior] [próxima»]

Crie o seu próprio Site do Escritor no Recanto das Letras
Página atualizada em 09.02.10 17:55