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"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Meu Diário
29/03/2008 21h11
Livro Iara Iavelberg: uma vida de engajamento político-cultural por HÉLIO DANIEL CORDEIRO

Li, emocionado, o livro Iara: Reportagem Biográfica (Ed. Rosa dos Tempos), de Judith Lieblich Patarra. Antes mesmo de acabar a narrativa, já envolvido pela personalidade forte da militante esquerdista, me dei conta daquelas palavras do poeta Mário Faustino: "Não conseguiu firmar o nobre pacto/ Entre o cosmo sangrento e a alma pura/ (Tanta violência, mas tanta ternura) Neste ensaio me concentro na trajetória cultural desta heroína da esquerda brasileira, não importando tanto sua militância política.
       
Iavelberg e Roth, duas famílias judias. A primeira de Britshen (Bessarábia), a segunda de Budapeste (Hungria). David Iavelberg e Eva Roth, os descendentes destas famílias casaram-se no dia 23 de maio de 1943, na chupá armada no quintal dos Roth, num quarteirão de casas geminadas da rua Albuquerque Lins, Barra Funda, próximo ao Teatro São Pedro.
      
Iara foi a primeira dos filhos do novo casal Iavelberg, estabelecidos no Ipiranga. Nasceu no dia 7 de maio de 1944. Do nome, gostaria mais tarde. Não por causa da "mãe-d'água", em tupi. Nem pela semelhança hebraica com iár-ar (arvoredo), ou iaará (a aromática), ou ainda iaratvosh (favo de mel). Simplesmente gostava!
       
Eva, a mãe, estimulou a filha a ler. A criança devorou os livros de Monteiro Lobato e da Condessa de Ségur. Na puberdade, Jules Verne. A mãe decidiu também associar a família à Hebraica. Almejava amigos de classe social mais elevada para os filhos; no futuro, bons casamentos. Além do mais, a natação beneficiaria Iara, sempre molestada com a rinite e asma.
       
Em 1957, quando o cine Paulistano exibiu Ao Balanço das Horas, de Bill Haley, e os jovens saíram eletrizados do cinema dançando rock na Augusta, lá estava a nossa menina. Viajava com a família para Santos, admirava o mar, o vôo das gaivotas, escrevia poemas. Seu olfato já estava prejudicado pelos medicamentos que tinha de tomar. Leu Alma Cabocla, de Paulo Setúbal e assistiu Eles Não Usam Black Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, no Arena.
       
Ficou noiva do médico Samuel Haberkorn, nove anos mais velho, que lhe deu de presente o livro de Araújo Jorge, Poemas do Amor Ardente. Tinha apenas 16 anos quando a cerimônia ocorreu, na Congregação Israelita Paulista. Após a lua-de-mel em Campos do Jordão, Iara insistiu para passar um mês de férias em Santos. Prenúncio de que algo não iria bem.
       
Iara era notada onde chegasse. Notava rivalidades no ar. Tinha maneiras de maturidade, quase superioridade, mas vivia insegura como mulher. Retomou o Científico à tarde. Foi aí que conheceu o futuro dentista, Honório de Lima Filho, primeiranista de 1962. Abordou-o. O rapaz correspondia à visão que tinha de Larry Darrell, personagem de Somerset Maugham em O Fio da Navalha, um de seus livros prediletos.
       
Estava indiferente ao provincianismo brasileiro, mas abria-se para o mundo. Estimulava-a a busca de libertação. A visita de Sartre e Simone de Beauvoir, em agosto de 1960, ainda estava viva no ambiente cultural da cidade. Existencialismo, sexualidade, feminismo. Descobriu a filosofia, os professores Valter Lourenção (hoje maestro) e Victor Knoll.
       
O mundo começaria a tremer cultural e socialmente. E Iara queria viver intensamente aquele momento.
       
Vestibular para o curso de Psicologia da USP. Cenário seguinte: Rua Maria Antônia. O pai Haberkorn ofereceu ao filho um apartamento na região da Paulista. Chance de liberdade. A faculdade abriu os horizontes de Iara. Ia conhecendo muita gente, com vários flertou. Freqüentava o Regência, restaurante alemão na Augusta. Ali conheceu o crítico Anatol Rosenfeld e a psicanalista Regina Schnaiderman.
       
Alma inquieta. Corria para acompanhar o ritmo de seu tempo. Assistiu aulas de pós-graduação de Estrutura do Romance e do Cinema com Paulo Emílio Salles Gomes. Aproximou-se do assistente, o pintor e poeta Sérgio Lima, leitor dos Cahier du Cinéma.
       
Passou a crer no manifesto surrealista de André Breton (de 1924): o verdadeiro pensamento é livre dos controles da razão, de preocupações estéticas e morais. Leitura de momento: a biografia de Freud escrita por Ernest Jones. Inspirava-se nos artigos de Carmen da Silva na revista Claudia.
       
Um encontro marcante na vida de Iara aconteceu quando conheceu o poeta Cláudio Willer, 23 anos, já então uma figura polêmica, que hostilizava o cronista Paulo Bonfim e os concretistas e que na bienal daquele ano preparava-se para distribuir um necrológio anunciando a morte dos poetas Lindolfo Bell, Hilda Hilst, Renata Pallotini e Ferreira Gullar. Delírio juvenil? Carência afetiva? Desejo de aparecer? Pode ser, mas Willer era uma estrela em ascensão na vida literária paulista, tradutor de Allen Ginsberg e apaixonado pelos beatniks.
       
Tinham muito em comum. Willer emprestou-lhe a edição espanhola das Obras Completas, de Freud e um de seus livros prediletos na época, Quadriade, de Octavio Paz.
       
O segundo ano de Iara na Faculdade, 1964, começou exaltado. Direita e esquerda falavam da iminência do socialismo. Havia um clima de incerteza após a renúncia de Jânio Quadros. As reformas de João Goulart geravam desconfianças entre conservadores e militares.
       
Em março estudantes vaiaram Castelo Branco à saída da Escola Nacional de Arquitetura, no Rio, enquanto a polícia prendia o editor Ênio Silveira e em São Paulo era destruída a biblioteca do físico Mário Schenberg.
Apesar do clima de incertezas, Iara não se desligava do cinema, festas e amor. Para manter a pele bronzeada, nos fins-de-semana ensolarados do outono dirigia seu fusquinha até a Hebraica. À beira da piscina reencontrou Décio Bar, que acabara de publicar um livro, o que contribuiu para o namoro.
       
O Ato Institucional no. 1, de 9 de abril de 1964, baixado pelos militares que derrubaram o governo constitucional, divulgou a lista dos políticos e intelectuais caçados, começando com Luiz Carlos Prestes, seguido de João Goulart e incluindo também o deputado federal Rubens Beirodt Paiva, ativo nacionalista, depois desaparecido pelo regime. Em setembro prenderam o sociólogo Florestan Fernandes.
       
Em nome da ordem, a direita utilizava métodos stalinistas.
       
Em defesa da democracia, integridade individual, independência dos legislativos, respeito às decisões dos tribunais, um grupo de intelectuais lançaram um manifesto. Os primeiros a assinar eram Alceu Amoroso Lima, Barbosa Lima Sobrinho, Oscar Niemeyer e Anísio Teixeira.
       
Pelas Repúblicas da América Latina iam surgindo vários grupos de libertação nacional. No Chile aparecia o Movimento de Esquerda Revolucionária. Tupac Amaru, o líder inca responsável pela última revolta contra os espanhóis no Peru, ressurgiu nos tupamarus uruguaios liderados por Raúl Sandic. O padre Camilo Torres engajou-se na guerrilha colombiana. Douglas Bravo e Fabricio Ojeda criaram um novo grupo guerrilheiro na Venezuela. E a nascente esquerda latino-americana, já ia fazendo seus mártires e heróis: o argentino de coração cubano Ernesto Che Guevara, na Bolívia, e Luis de la Puente Uceda, no Peru.
     
O Brasil era tomado pelos militares e a política econômica, comandada por Octávio Bulhões e Roberto Campos (o Bob Fields do Paulo Francis), trilhava o monetarismo.
       
Talvez tenha sido Hillel, o grande sábio judeu dos primeiros séculos da Era cristã, quem tenha definitivamente inspirado Iara a alinhar-se à esquerda e seguir não só nas idéias, como na prática, seu sofrido - e quase sadrificial - caminho nos anos 60. Em um momento da vida vieram-lhe à mente os versos de Hillel, aprendidos na Escola Israelita do Cambuci: "Se não eu, quem? Se não hoje, quando?" Aliás, também os versos preferidos da futura primeira-ministra de Israel, Golda Meir.
       
Iara distanciava-se do judaísmo passivo e formal dos pais. Queria seguir uma nova rota dos justos. Juntar-se a outros judeus que desde Marx haviam optado pelo socialismo como opção política: Trotsky, Rosa Luxemburg, Bela Kun, György Lukácz, Jacob Gorender e tantos outros, sem falar dos milhares de seguidores do Bund, o partido socialista judeu da Polônia e Rússia.
      
Mas nem tudo era política na vida de Iara.
       
A futura revolucionária confirmava sua vocação de cinéfila. Via Jaula Amorosa, de René Clement, com Alain Delon e Jane Fonda. No teatro, Arena conta Zumbi, texto de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, impactava platéias. Brecht estava em alta. Não perdeu o espetáculo Opinião, nem Liberdade, Liberdade, de Flávio Rangel.
       
Conheceu José Dirceu, então estudante de Direito da PUC, com 19 anos. Este tentou namorá-la sem sucesso. Seu sotaque caipira e interesses não intelectuais repeliram-na.
       
Com a orientação de Willer, lia Reich e falava de Louis Malle e Jeane Moreau em Os Amantes, de Alain Resnais em Hiroshima, meu Amor e O ano Passado em Merienbad e de François Truffaut em Jules et Jim. Explodia a nouvelle vague. No social, Iara conheceu a física Batty Chachamovitz, talvez sua melhor amizade então.
       
Em 1966, o Tusp montou A Exceção e a Regra, de Brecht, no Teatro da Faculdade de Medicina. Paulo José na direção. Iara emociou-se com a peça a ponto de comprar o livro Bertold Brecht, Poemas e Canções. Foi também quando conheceu Dina Sfat.
       
Acompanhava o mundo, Martin Luther King e a guerra no Vietnã. Organizou um curso de Línguagem e Teoria da Informação com Décio Pignatari e assistiu à palestra de Umberto Eco no Mackenzie. Estudantes eram presos e o professor Dalmo de Abreu Dallari impetrava mandado de segurança para libertá-los.
       
Tudo acontecia próximo à Maria Antônia. Saudava os amigos, discutia filmes e músicas: Alphaville, de Godard (na linha de Orwell), o tcheco Um Dia, um Gato, aludia à canção de Geraldo Vandré, Disparada, no Festival de Música Popular e torcia contra A Banda, de Chico Buarque, ouviam Pete Seeger, Joan Baez e Bob Dylan.
       
O Tusp começava os ensaios da peça de Brecht, Os Fuzis da Senhora Carrar, cenário e figurinos de Flávio Império. Via pela televisão a Guerra dos Seis Dias e, enquanto judia, teve uma postura pouco ortodoxa sobre os israelenses, polemizando com amigos judeus.
       
Saia com os amigos à noite, participava de festas da esquerda. Bebia. No Belas Artes recém inaugurado, assistiu Terra em Transe, de Glauber Rocha, e no Teatro Oficina, O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, direção de José Celso Martinez Corrêa. Ouvia Elis Regina e Edu Lobo.
       
No final de janeiro de 1968, assistiu A Guerra Acabou, de Alain Resnais, com Yves Montand e Ingrid Thulin. Jantava com os amigos do Tusp. Especial uma noite no Gigetto em que Anatol Rosenfeld falou das origens fraudulentas dos Protocolos dos Sábios de Sião.
       
Viu outros filmes: A Chinesa, Bonnie and Clyde, Quando os Peixes Saíram da Água (de Michael Cacoyannis, com trilha sonora do compositor proibido pela ditadura, Theodorakis), 2001 -Uma Odisséia no Espaço, hoje um clássico de Stanley Kubrick.
       
Primeiros meses de 1968. Iara passou a dar aulas teóricas para militantes da esquerda em Quitaúna. Foi aí que reencontrou Lamarca, com quem teria por companheiro até o fim. Iara ensinava Lênin. Discorria sobre as páginas de O Estado e a Revolução. Muito feminina, mas firme, convicta nos argumentos. Lamarca também ensinava. Utilizava seus conhecimentos de militar para ensinar Carl von Clausewitz, o grande teórico dos conflitos bélicos que disse: "a guerra é a continuação da política por outros meios."
      
 Fazia a apologia da luta armada para uma batalha impossível de vencer. Valia sonhar! E lutar por um ideal de ver o Brasil democrático, com justiça social. Delírio socialista? Talvez, mas para ela o sonho estava apenas começando.
       
De volta a São Paulo, Iara encontrou tempo para ver Os Fuzis da Senhora Carrar, no Teatro São Pedro reformado, ali pertinho de onde morou sua mãe, mocinha solteira na Alburquerque Lins. No botequim da Barra Funda, com amigos, falou do filme do momento, A Mulher de Areia, de Hiroshi Teshigahara, baseado no livro de Kobo Abe. Tinha começado a ler Trotski e pensava na reforma agrária brasileira. Assistiu Galileu Galilei no Oficina, direção de José Celso Martinez Corrêa.
       
Enquanto as rádios tocavam a ingênua Banho de Lua, de Cely Campelo, a repressão investia firme. Decretava-se o AI5. Foram detidos Carlos Lacerda, o advogado Sobral Pinto, o ex-presidente Juscelino Kubischek, o marechal Cordeiro de Farias, os jornalistas Carlos Castelo Branco e Alberto Dines, os cantores Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil.
       
Contraditoriamente, enquanto a democracia se enfraquecia, a renda da classe média crescia. Roberto Schwarz tentou expor a análise dos economistas numa reunião da VPR. Ninguém queria saber. Negavam a realidade.
      
Manchetes nos jornais: a invasão do Pacto de Varsóvia na Checoslováquia, o estudante Já Palach se imolando em Praga para protestar, como faziam os monges budistas no Vietnã. O Globo noticiava que o capitão da Infantaria Carlos Lamarca tinha desaparecido da unidade onde servia, levando consigo considerável quantidade de armas leves e munição.
       
O militar Lamarca era conhecido pelos companheiros de quartel como homem íntegro, puro, comportamento inviolável. Os oficiais mais íntimos sabia da misteriosa doença nos rins da esposa, o que consumia todo seu salário. Eram solidários e em duas ocasiões enfiaram dinheiro em seu envelope.
       
Lamarca nunca quis aceitar. Os amigos insistiam, diziam que iriam gastar em cerveja se ele não ficasse com a grana. Cedia, emocionado.
       
Sua situação melhorou quando foi escolhido para integrar a Força de Paz da ONU no Canal de Suez, em 1962/63, depois da Guerra entre Israel e Egito de 1957. Na volta, serviu na Polícia Militar de Porto Alegre. Um capitão e dois tenentes o convidaram para entrar no PC. Passou a ler Leôncio Basbaum, Caio Prado Jr., Josué de Castro e Nelson Werneck Sodré.
       
Lamarca precisou deixar o apartamento no Brooklyn e se instalar em outro aparelho. Muito arriscado ficar muito tempo no mesmo local. Iara aproveitou e foi ver O Bebê de Rosemary, de Roman Polansky, com Mia Farrow.
       
Iara estava cada vez mais apaixonada por Lamarca, e este, distante da família, começava a corresponder. A convivência comum em "aparelhos", o isolamento da rotina normal, contribuíam para o romance. Iara falava sobre Rosa Luxemburg que se opunha ao sacrifício do amor e da vida pessoal. Falava das cartas ao amado Leo Jogiches. Sua integridade na prisão, seu assassinato (e de Liebknecht).
       
Talvez Iara visse em Rosa a antevisão de seu futuro.
       
Ambas judias.
       
Ambas lutando contra a repressão oficial do Estado.
       
Tudo podia acontecer nas mãos de tiranos.
       
O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, de Glauber Rocha, acabava de entrar no circuito. Iara e seu amigo Espinosa combinaram uma primeira sessão de segunda-feira, no cine República.
       
Em outra ocasião, ao passar por São Paulo, assistiu Macunaíma, entregando-se ao delírio de Joaquim Pedro de Andrade na interpretação de Mário de Andrade. Dias depois pensou em ver O Homem de Kiev, de John Frankenheimer, baseado no romance de Bernard Malamud. Não foi, apesar do interesse pelas locações em Budapeste.
       
Iara passou uma temporada em treinamento nas selvas do Vale do Ribeira. Nos finais de semana, o grupo recolhia-se para reflexões teóricas. Com Herbert Daniel discutiam os livros disponíveis: O Capital, de Marx; Teoria do Desenvolvimento Capitalista, de Paul Sweezy; Filosofia da Praxis, de Adolfo Sanches Vasques; trechos de Trotsky em O Profeta Desarmado; Guerra de Guerrilhas, de Guevara; Vietnã, a Guerrilha Vista por Dentro, de Wilfred Burchett; além do filósofo Ludwig Feurbach.
       
Os dias seguintes foram de muita chuva. Recolhidos, acompanhavam o noticiário pelo rádio. Inundações em São Paulo, fracasso da direita argentina em seqüestrar o embaixador soviético, a morte do filósofo inglês Bertrand Russell e a visita de Janis Joplin ao carnaval carioca.
       
Depois do período difícil na selva, de enjôos, dores nos seios e sangramentos, Iara retirou-se a uma casinha da amiga Tercina, em Peruíbe. A tranqüilidade reconfortou-a e havia muito o que ler: Sartre, Malraux, Otto Maria Carpeaux, Israel Abrahams com seu Valores Permanentes do Judaísmo e outros.
       
As dores aumentavam pelo corpo. Conseguiu uma consulta discreta com o médico José Cipolla, num sobrado da rua José Maria Lisboa. Diagnóstico: hipotireoisdismo. Procurou-se tratar-se como as circunstâncias permitiam. Logo teve de viajar de automóvel para a Bahia, na tentativa de fugir do cerco dos militares no eixo Rio-São Paulo.
       
Já na Bahia, para espanto da maioria, Iara confessou-se gostar do romantismo água com açúcar de Roberto Carlos. Mas não descuidava de sua formação teórica. Na casa de Serrinha, lia o livro de Christina Matta Machado, As Táticas de Guerra dos Cangaceiros.
       
Acompanhava o mundo pelo rádio. Ouviu que um grupo de 50 intelectuais, dentre eles Sartre e Simone de Beauvoir, romperam com Fidel Castro, já então um ditadorzinho em ascensão. A Al Fatah disparava foguetes contra Israel. Morria Louis Armstrong.
      
Instalados na pequena cidade de Serrinha, próxima a Feira de Santana, encenavam-se peças e filmes de qualidade: O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna; Electra, o Vingador e Zorba, o Grego, de Michael Cacoyannis.
       
A última escala da passagem de Iara Iavelberg por nosso planeta foi num apartamento da Praia da Pituba, em Salvador, acuada num cerco da polícia.
      
 __ Não sei se alguma vez perguntaram a Iara se ela precisava disso ou daquilo. Tenho a impressão de que lhe conferiram um papel e cabia-lhe desempenhá-lo. - constatou Fábio Landa, psicoterapeuta que estudou na Escola Israelita do Cambuci ao tempo de Iara.
       
O jornaleiro Chico, da banca da esquina da Rua Silva Bueno, naquela manhã de setembro não expôs os jornais que exibiam as manchetes, inconformado com a morte da menina que viu crescer ali no velho bairro paulistano, ali pertinho onde um dia Dom Pedro I sentenciou: "Independência ou morte!"

HÉLIO DANIEL CORDEIRO

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(foto de origem desconhecida)

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“Apenas quando chega o frio percebe-se que o pinheiro e o cipreste são os últimos a perder as folhas” (Confúcio, Os analectos p.105)

Audio: Richard Wagner Die Walküre.
http://br.youtube.com/watch?v=IImhchDkHIk

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Publicado por Rosangela Aliberti em 29/03/2008 às 21h11

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