Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Textos


SE NÃO HOUVER FOLHAS VALEU A INTENÇÃO DA SEMENTE(...)  não é de Henfil


Ando preocupada com os desvios nos percursos... hoje tenho um cartão delicamente ilustrado, editado pela Edições Paulinas em minhas mãos, 'supostamente' escrito por Henfil que diz o seguinte: "Se não houver frutos,valeu a beleza das flores, se não houver flores, valeu a intenção das folhas, se não houver folhas, valeu a intenção da semente*". www.centrocultural.sp.gov.br/gibiteca/henfil.htm 

Segundo o livro Diretas Já! 

p.63 (...)
Para ser lido dia 21 de novembro
Um dia em Jundiaí um puro, ao ouvir meu OPTEI pela organização do povo, me deu os seguintes versos, que passo adiante amanhã.

Parar ser lido dia 22 de novembro de 1982

SE NÃO HOUVER FRUTOS
VALEU A BELEZA DAS FLORES
SE NÃO HOUVER FOLHAS
VALEU A SOMBRA DAS FOLHAS
SENÃO HOUVER FOLHAS
VALEU A INTENÇÃO DA SEMENTE.

Pois bem há alguns anos atrás li na revista Veja no consultório da sala de espera do dentista sobre o autor desta frase estar reivindicando seus direitos autorais seu nome: Maurício Francisco Ceolin. 
Chico Ceola é parte de Maurício Francisco Ceolin, Professor da PUC (Campinas), Diretor do Sinpro Campinas, Presidente da APROPUCC, e autor do livro “Saudade da Tribo”. A dualidade entre o profissional competente, e a sensibilidade marcante de sua atuação social, faz com que nele coabitem o professor de Física, o militante sindical, o poeta, dentre outros personagens . Sua poesia reflete as inquietações, as angústias e, por vezes, o senso de humor de outras identidades que constituem seu universo criador (segundo material recolhido na net):

Esperança
Chico Ceola

Descansa o guerreiro,
enrola-se o covarde,
lamenta-se o tímido.
Na cama a humanidade em suspenso.
Ao fundo,
sem gemidos,
a esperança dobra a esquina.
É noite.

Recentemente questionei uma das pessoas que tem um site de frases na internet com relação a esta frase especificamente, esta solicitamente me afirmou que recebeu do autor real (citado acima) um pedido para uma retificação, dizendo que o próprio Henfil teria ido na televisão dizendo que a frase não fora escrita de seu punho (?). 

Entretanto através de pesquisas na internet leio que Francis Ford Coppola teria ficado emocionado com "a frase do falecido humorista e cartunista Henfil" registrada em uma placa localizada na frente do Mirante Central da gigantesca usina hidrelétrica do mundo em produção de energia, a Itaipu Binacional em sua visita ao Brasil no mês de agosto de 2003; Coppola chegou a pedir uma cópia da frase traduzida.

Sinceramente? Por tudo que tenho passado ao longo de mais de cinco anos, em termos de divulgação... não sei o que pensar... dizem que quem se preocupa muito com a vida dos outros deveria prender sua atenção mais com a sua vida, no caso este ponto toca diretamente em um de meus nervos nevrálgicos... Estou questionando aonde irão parar os escritos dos autores da net no futuro? Quantos aos de outrem? Leiam Os Desejos Reais de Victor Hugo: 
http://www.rosangelaliberti.recantodasletras.com.br/blog.php?idb=4908

O que estou querendo dizer com isto? 
Nem só poesias vem sendo traduzidas de forma incorreta, há frases e pensamentos que vem sendo traduzidas do português para o espanhol (vice-versa), sem consulta prévia do francês ou alemão apontando trabalhos como sendo de Victor Hugo e Goethe, por exemplo. 

Penso que as pessoas vão se acostumando a ler um determinado texto/ou frase como sendo de algum Autor Conhecido, após terem a comprovação de um possível engano naturalmente podem se chocar, porque a assinatura de um texto acaba sendo associada as Obras e a "energia" emanada do Autor.
No entanto, nem por isto a produção dos trabalhos merecem ser desvalorizados, é como ouvir uma música (cada pessoa sente as notas as quais se afinizem no momento). A medida que os sentimentos de frustação, indignação entre outros se diluem as coisas vão se ajeitando. 

Creio que alguém só pode conseguir medir um sentimento experimentando se colocar na pele de um semelhante, é como quando se perder um texto a sensação é de ter perdido um filho pequeno... passa o tempo você pensa que o reencontrou em um local distante os traços eram semelhantes, mas na hora de fazer o exame do DNA você percebe que não era aquele o pai da criança e se choca com o resultado do tal exame.

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Sorte haver determinadas trocas de idéias que são úteis e que nos mantém firmes à novas buscas que sempre serão válidas, esta me foi transmitida por um dos escritores do Recanto das Letras: Nadir Silveira Dias... eu havia comentado que no início dos anos 80, havia recebido um pequeno book bem ilustrado por sinal fora praticamente ofertado por um professor de Química I (Laboratório Experimental), com preço irisório de uma passagem de ônibus metropolitano, o nome do texto: DESIDERATA, até então pensava que fosse de um Autor Desconhecido, no entanto fui informada que é Max Ehrmann* (mais sobre o autor* http://pt.wikipedia.org/wiki/Max_Ehrmann)


(Ponto chave) Agora coloque-se um minuto neste lugar: Você escreve uma frase, um texto, uma poesia pensando em determinado alguém com carinho e de repente a produção circula de mão em mão no decorrer do tempo sem ter o nome citado devido como citado, aliás tendo o seu nome trocado por uma celebridade. Têm pessoas nos grupos que não aceitam autores desconhecidos nas listas de poesias e reflexões...  seria a partir daí que o nascimento de repasses não autênticos. Uma pessoa encontra um texto o válida como 'belo' e pensa (não, não pode ser de Autoria Desconhecida? gostaria de repassá-lo...) não pesquisa, mas 'acha' que tem: a 'cara' do Drummond, da Lispector, do Mario Quintana... ou do Victor Hugo e por aí vai (está batizado) "formata" o texto repassando-o para frente este é recolhido em um blog(ue), junto a Força de um determinado autor (geralmente falecido).

Seria apenas para promover um nome que não é famoso ou um divulgador? Prefiro evidenciar aqui o fator troca.

Efetuada a pesquisa por que seria tão pernicioso, postar um Autor Desconhecido? (caso seja desconhecido mesmo)

Tenho diversos livros de cabeceira com pensamentos e frases de anônimos editadas junto a autores conhecidos e os pensamentos que são considerados como válidos.   Inúmeras são as hipóteses: A pessoa pode não querer se expor... (vai saber por que?) algumas frases se tornam adágios populares, outras... o autor escreve uma página bela (a primeira e a última, que alcança sucesso... como 'Feelings' depois desta canção qual foi o outro sucesso que estourou em seguida?)... o autor pode até ter morrido antes de ver sua produção escrita: Conheço uma pessoa a quem prezo muito, que escreveu uma poesia e a distribuiu em um grupo fechado esta fora impressa na época do Natal, há muitos anos atrás, e foi ofertando a todos amigos no grupo... O poema tem a forma de uma árvore de Natal... depois de alguns anos o vi circulando na net como Autoria Desconhecida, a pessoa era idosa e se mudou para o interior (nunca mais tive contato com a autora) sua produção é semelhante a outra poesia de Natal considerada também como Autoria Desconhecida (porém não poderiam ser denominadas plágio ao serem colocadas uma frente a outra) ...não sei qual dos poemas foi escrito pela
minha amiga (e infelizmente todos meus materiais sem a minha permissão foram jogados fora quando viajei ao exterior), a única pessoa que dizia ter a poesia guardada, não a estava encontrando nos seus pertences e faleceu.

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...Alguém estaria tirando o espaço de divulgação de um Autor Conhecido, ao enviar para outro alguém uma poesia de um Autoria Desconhecida? 
E se este escritor (desconhecido novato) for bom... será que eu estaria abortando a divulgação de um futuro escritor que estaria começando, o desestimulando...? 

(Voltando ao ponto chave) Será que VOCÊ se sentiria TOTALMENTE confortável dentro de uma situação como esta??? Acredito que ninguém em sã consciência que tenha escrito na verdade um texto e este tivesse sido repassado nestas condições se sentiria bem e ficaria de braços cruzados, se está vivo lutaria por aquilo que foi seu... faria tudo o que for preciso para resgatar o que estivesse pensando que seja seu por direito, ... em caso de escritores vivos ou mortos a Biografia condiz com o que fora registrado? Será que quem é considerado um 'Best seller' em termos de livros de auto-ajuda por exemplo, não estaria se auto-ajudando em primeiro lugar? Estaria apenas filosofando em cima do tema, ou pregando o padre nosso ao vigário e na hora do vamos ver será que agiria como escreve (o camarada que escreve algo que faça pensar age REALMENTE conforme o que dita a cartilha?) Ou estaria semeando...?! 

Contudo, há pessoas que pouco divulgam outros trabalhos, somente os próprios, quando os têm... (isto me deixa 'meio cabreira') e quando questionadas não estão interessadas em pesquisar... (tanto faz, talvez) tanto quanto os que não se interessam em divulgar razoavelmente BEM e batem na tecla na crítica sem buscar todos os lados dos vetores esquecendo de apontar algo construtivo, naquilo que leu, ou poderá retirar como lição.

Por isto tomem conta de seus textos, caso estiver em grupos de poesias
ou reflexões assinem, coloquem em blog(ue)s, procurem repassar de 
s(a)ites idôneos e pesquisem páginas do exterior, para confirmação dos repasses e registrem na Biblioteca Nacional.

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Estamos em plena semana santa, hoje uma das matérias na TV e em um
dos jornais locais, fiquei mais abismada ao observar os aspectos com que estavam retratando o episódio da malhação do Judas, a matéria corria dizendo que a Igreja estava um tanto apreensiva com os preparativos 
das pessoas na confecção de bonecos... na tentativa de convencer a população que Judas na verdade não fora inimigo de Cristo e que as escrituras 'talvez' possam ter sofrido alterações, assim procurando esclarecer que a mente do povo não pode ficar eternamente presa a sentimentos de vingança. 

Na verdade tudo pode ocorrer em se tratando de letras escritas por homens, parte dos contos bem mal contados, nos caminhos do solo da humanidade.

Até o próprio mártir no final da Via crucis suplicava palavras relacionadas com o perdão: - "Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem". 

Tudo começa com pequenas frases... é de se preocupar ao se ver o nome de um autor em um determinado site abaixo de um poema ...e este poema/com o autor errado estar sendo editado em livros para uso da rede pública para segundo grau, como por exemplo o texto INSTANTES foi atribuído Jorge Luis Borges, depois a Nadine Stair (em sites/jornal e livro) sendo que o autor real é Don Herold em publicado da Seleções do Reader's Digest de outubro de 1953.

(Tenho a 'leve impressão' que ainda não sabem mesmo o que andam fazendo... até que ponto se pode chegar as coisas?). 
Um dos entrevistados disse: - Na atual conjuntura... tal pensamento não seria possível ser absorvido e que continuaria 'metendo o pau' no 
Judas com toda boa vontade. Uma senhora afirmou que tinha feito poucos bonecos de Judas, e que estes bem que podiam ser substituídos por bonecos com a feição dos políticos atuais.

Creio que o sentimento de traição mexe com nossos instintos básicos, 
com as raízes de como lidamos com este tipo de sentimentos (no caso a raiva), por isto não seria a hora de pensarmos sobre até que ponto vai
a palavra traição no sentido de "boicotar" trabalhos... em todo o caso: "valeu a intenção da semente": Wenn es keine Früchte gibt, ist die Schönheit der Blumen gültig. Wenn es keine Blumen gibt, ist der Farbton der Blätter gültig. Wenn es keine Blätter gibt, ist die Absicht des Kernes gültig*." (Tradução das frases acima em questão do alemão por Rosana Grassl) 

Deixo o pairar da dúvida mas no dia que souber ao certo, darei os créditos.

Por outro lado será que o fato das pessoas despertarem para os textos, e autores conhecidos ou não, não estariam (re)criando pontes?


São Paulo, 11.IV.06 
Fotografia de origem 
desconhecida


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Recentemente recebi a confirmação que a frase é de Maurício Ceolin:

“Se não houver frutos
Valeu a beleza das flores
Se não houver flores
Valeu a sombra das folhas
Se não houver folhas
Valeu a intenção da semente" 

"Em 1982 eu estava levando o fora da minha mulher, minha namorada recente na época. Então escrevi uma carta de despedida para ela, a qual continha estes versos, parte de um poema maior. Ela mostrou para alguém, que mostrou para outros... Nesta época o Henfil fazia a propaganda do PT que ia disputar sua primeira eleição. Um dia ele foi a Jundiaí e deram os versos a ele. Segundo ele me disse depois, pensou que se tratava de uma referência ao PT, naquela época ainda uma semente. Assim ele publicou os versos dentro de uma de suas “cartas a mamãe, na página da revista Isto é que ele assinava na época”. Lá ele diz que recebeu os versos de um "puro em Jundiaí”, mas esta parte ninguém leu e por isso se atribui a autoria a ele.
Esta é a história. 

Abraços
Mauricio Francisco Ceolin
mauriciofceolin@uol.com.br" 

*

Dicas:

Comunidade do Henfil - orkut
Comunidade Afinal, quem é o autor? - orkut


+ sobre o assunto/trocas de autorias em: ARTIGOS
http://www.rosangelaliberti.recantodasletras.com.br/publicacoes.php?categoria=4

São Paulo, 18.II.07

Rosangela Aliberti
Enviado por Rosangela Aliberti em 11/04/2006
Alterado em 05/10/2009


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